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Começa nesta quarta-feira, dia 04 de novembro (20h na Fundação Cultural de Blumenau) mais uma ação da Temporada Blumenauense de Teatro. O projeto está em seu quarto ano e atingindo seus objetivos de formação de platéia para teatro e pauta e espaço para grupos locais se apresentarem para seu público.

Desta vez, Grupo K com o espetáculo “Zé do Mato e os Índios Botocudos”, trabalho inspirado em fatos históricos da colonização alemã no Vale do Itajaí: a relação dos imigrantes com os índios nativos da região.

Não perca. Não vá sozinho, leve sempre muita gente.

Preços: R$ 5,00 com filipeta e R$ 10,00 sem a filipeta.

Filipeta_Novembro_Z_Ache as filipetas na Universidade, na Fundação Cultural e junto com os integrantes do grupo K.

 

ZÉ DO MATO E OS ÍNDIOS BOTOCUDOS
Nome do Grupo: Grupo K

Sinopse: A peça conta a história de Zé do Mato e a Cia. de Pedestres dos Irmãos Martins, os grandes caçadores de bugres da nossa região, contratados pelos colonizadores para exterminar as tribos de índios de Santa Catarina vistas como obstáculos para o progresso. Os colonizadores pagavam os serviços dos bugreiros em troca das orelhas dos índios mortos. Um dia, após mais uma bem-sucedida caçada, Zé do Mato e a Cia. de Pedestres, foram cercados por um bando de índios. Animados com a possibilidade de conseguir mais algumas orelhas, aumentando seus pagamentos, os bugreiros se lançaram ao ataque. É neste momento que a história de Zé do Mato e os Índios Botocudos começa, trazendo emoções e gargalhadas misturadas ao suspense.

Ficha Técnica:

Duração: 45 minutos
Número de Espectadores: 100 pessoas
Classificação Etária: 10 anos
Texto: Rafael Koehler
Baseado no conto de: Isabel Mir Brandt e Maria José Ribeiro
Direção Rafael Koehler
Atuação Daidrê Thomas e Lú May.
Sonoplastia Rafael Koehler
Figurinos Lú May
Iluminação Rafael Koehler
Fotografia Joanna Oliari
Arte Gráfica Léo Kufner
Produção Geral Grupo K

Apoiadores: Casarão das Oficinas; Fundação Cultural de Blumenau;
Prefeitura de Blumenau; Confecções Rio Açú; Federação Catarinense de Teatro (FECATE)

Políticas Culturais e Blumenau[1].

Márcio José Cubiak[2]

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Esta é uma contribuição ao debate sobre políticas culturais em Blumenau que rechaça o conceito de arte e cultura dominante em nossa cidade. Quero focar nos desafios e nas oportunidades que Arte e Cultura podem gerar, simbólica e economicamente, quando trabalhadas de forma sistêmica, como política de estado, partindo da diversidade.

Estamos participando de um momento em que os segmentos culturais exigem a garantia da cultura como direito fundamental a ser gozado. Todos os dias, global e localmente, novas identidades surgem e demandam legitimidade. E como os Direitos são construções históricas, resultado das relações de poder e da luta de classes em cada época, é necessário entender que não há imutabilidade: todas as culturas e todas as identidades sofrem impactos cotidianos e, ao mesmo tempo, geram outros.

Chove muito por aqui.

Chove muito por aqui.

Por exemplo, o impacto e as possibilidades nascidas a partir dos novos meios de comunicação e a troca de informações e conteúdos a partir da Internet. Blogues, redes sociais, portais de notícia e projetos colaborativos são exemplos. Uma idéia circula e acaba plantada em outro tipo de solo, germinando. Além disso, cito como exemplo, a informação trazida pelo IBGE (2008) que mais de 40% dos habitantes desta cidade são migrantes que vindos de outras partes e muitas vezes engrossam as periferias e bairros mais distantes, trazendo outros personagens, novas demandas.

Incluo, ainda, a necessidade de se repensar o conceito de crescimento econômico e de desenvolvimento regional, a partir da falência do modelo catarinense, agregando preocupações sociais e ambientais, que são temas e reflexões de pesquisadores em busca de alternativas justas e equilibradas, em oposição a obsessão burguesa pelo crescimento e lucro a qualquer custo, desconsiderando os impactos gerados.

O que esses impactos trazem de novo, para a cidade? Como os artistas, produtores, comunidade e poder público encaram essas transformações, como oportunidade ou perigo?

Nesta reflexão procuro enfatizar que um discurso pseudo-antropológico sobre a cultura local é privilegiado. O privilégio pressupõe que, numa outra ponta, alguém esteja em desvantagem. Nesta disputa (sim, por que há forças distintas e conflitos), o teuto-brasileiro tem força e dinheiro a sua disposição. É preciso vender a saga dos imigrantes como pacote turístico. As forças industriais e comerciais da cidade aliciam a classe política, que acata com carinho, as solicitações para que hotéis estejam lotados, ou que as toalhas blumenauenses possam ser vendidas aos milhares por que são feitas na Europa brasileira.

Rua XV de Novembro, semana passada: ressaca Oktoberfestiana

Rua XV de Novembro, semana passada: ressaca Oktoberfestiana

Vender a cidade alemã, que acaba sendo cenográfica e irreal, gera lucros aos cofres municipais, é excelente negócio e poderoso diferencial entre a luta das marcas e empresas. A contrapartida é paga pelos sujeitos e coletivos, cujas reivindicações são secundárias e invisíveis. Os nordestinos, os paranaenses, gaúchos, os negros, as mulheres, as mil facetas da juventude, os gays, essa ampla maioria da população, é silenciada restando a opção do entretenimento no Shopping Center ou das ações do seu respectivo gueto.

As administrações municipais vêm dificultando a vida dos artistas. Nos últimos 14 anos, muitas semelhanças e diferenças. Porém, é fato: faz muito tempo que Blumenau não tem um governo que leve a sério o desenvolvimento cultural a partir da diversidade, utilizando-se de políticas públicas. Cada governo esforça-se em deixar uma marca, simplificando tudo num plano de governo. O prefeito Kleinubing prefere ter sua gestão marcada pelo funcionamento do Fundo Municipal de Apoio a Cultura, por exemplo, mesmo que tais recursos sejam insuficientes para a demanda local.

O fato novo, para artistas e produtores, esta na urgência em romper com uma dependência simbólica em torno da FCBlu. Como? Criando e fazendo circular.  A obra do artista precisa ser exposta a outros olhares, expondo-se ao controverso. O artista precisa refletir sobre o sentido de sua criação. Ele deve se associar seja com outros artistas, produtores ou a comunidade. Aliás, o apoio da comunidade é fundamental. Enquanto os Pontos de Cultura trabalham a diversidade a partir da iniciativa de artistas ao redor do Brasil, Blumenau ainda não tem nenhum implantado. Somente agora, duas iniciativas foram aprovadas, representando mais de R$ 350 mil reais em investimentos culturais na cidade nos próximos dois anos.

Investir energias na organização e abertura de espaços culturais alternativos, ligados a uma comunidade; as inúmeras oportunidades dos recursos audiovisuais (cinema, imagem e vídeo); as ações do Ministério da Cultura nos municípios, como o programa “Mais Cultura” e os Pontos de Cultura ou a criação de cooperativas culturais são exemplos de fronts culturais para Blumenau. Os produtores culturais, meu caso, devem caminhar na direção de projetos culturais que possam ter seqüência e desdobramentos.

Quanto ao poder público, este precisa abandonar o desinteresse pela área, enxergar as oportunidades de desenvolvimento que a cultura pode gerar. Não é só um caso de recursos financeiros: é importante ter capital social para coordenar essas ações. Falta investir em capacitação para os profissionais, públicos ou privados, que trabalham com a gestão e produção cultural. E os dirigentes dos órgãos de cultura devem ter capacidade técnica e sensibilidade e não meros candidatos derrotados acomodados em um cargo, como é nosso caso atualmente. Precisa, acima de tudo, se espelhar nas ações do conselho de cultura (que tem seus problemas e qualidades). São as ações do Conselho Municipal de Cultura na defesa do Fundo Municipal de Apoio a Cultura que asseguram a visibilidade dos novos personagens da cidade e da diversidade cultural, fruto das convergências trazidas pela contemporaneidade até este Vale Europeu.

Outro ator importante nesse processo é a Universidade. A Instituição deve contribuir na elaboração de pesquisas e mapeamentos sobre o tamanho e os números da cultura aqui em Blumenau (poderão ser subsídios importantes na hora de planejar, essa ferramenta não utilizada pelo poder público). A Universidade tem a obrigação de fomentar a diversidade, pois é o espaço público de excelência. É espaço de construção de conhecimento.

FURB espera socorro externo.

FURB espera socorro externo.

Por fim, o poder público tem o desafio de aceitar a diversidade e ir além: incentivá-la. Apostar na democracia cultural ao invés de privilegiar um lado da história. Tem que pensar a cultura como estratégia de qualificação social para o futuro

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[1] Artigo publicado no Jornal Expressão Universitária Número 05, página 08, de outubro de 2009, sob o título “Diversidade na Europa brasileira”.

[2] O autor é Cientista Social e produtor cultural.

temporada outubro

VisCera convida

amdores

Neste domingo, dia 18 de outubro e no próximo 25, o Grupo AmaDores de Teatro estreia a peça “Ensaio Sobre a Loucura”, na Casa do Contestado, Rua Dr. Luiz de Freitas Melro,nº 193, Centro de Blumenau

Horário: 18h50min.
Entrada: R$ 10 inteira e R$ 5 meia.
Apenas 30 lugares.

Interessados podem enviar nome para lista no e-mail amadoresdeteatro@gmail.com


TERROR E MISÉRIA

BREVE, REMONTADO!

BREVE, REMONTADO!

Crédito: James Beck

Crédito: James Beck

NAVALHA NA CARNE

Peça de Plínio Marcos teve sua primeira proposta construída para a IX Mostra Carona de Teatro diante de um período trágico para o município de Blumenau. Sua produção foi diretamente afetada pelos acontecimentos de novembro de 2008. O trabalho teve que ser paralisado diante da prioridade da realidade, mas após choque e o auxílio em novembro, os alunos novamente se uniram em prol da produção. Em menos de uma semana, a proposta inicial de Navalha na Carne foi finalizada e apresentada na Mostra Carona de Teatro.

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Crédito: Léo Laps

Contudo, o resultado deste extemporâneo mergulho fez ressurgir o intuito da construção do grupo. Esse novo convívio, que ante o tempo, nos imputou o desafio do abandono do cotidiano para a entrega total ao trabalho criativo. Esta entrega levou-nos a crer na possibilidade de um trabalho permanente entre os aspirantes atores, fundamos o VísCera Teatro.

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Crédito: Léo Laps

Navalha na Carne propiciou, em sua concepção inicial feita velozmente e com corpos ainda aturdidos diante da realidade, a busca pela fuga da realidade imediata rumo a uma construção mediada pela pesquisa de outro aspecto da realidade que emana sentimentos as vezes escondidos: os sentimentos que emergem da realidade de seres tão a margem que não os vemos diante da limitação de nosso leito.

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Crédito: Léo Laps

Diante dos personagens de Plínio Marcos os atores pesquisam os aspectos vívidos dos seres humanos imersos em condições socialmente condenadas, buscando no ator as expressões que dele emergem diante desta realidade para entregá-las ao público.

Os atores tentam fugir dos estereótipos para buscar, nas profundezas de sua singularidade, a elaboração dos personagens. Diante da aparente miséria, o VísCera Teatro procura a vida, procura a força do humano que resiste frente ao convite à anomia e ao desespero.

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Crédito: Léo Laps

Sinopse:

Navalha na Carne é uma peça de Plínio Marcos. É a história de três personagens em um quarto de bordel onde mostram suas vidas e expõem sua relação. A realidade do trio se entrelaça deixando aparecer diversos e paradoxais aspectos da condição humana. Retrato duro do submundo brasileiro em que as gírias, a violência das relações humanas, a situação opressora e a luta de cada personagem constroem um quadro cuja dramaticidade sobrevive ao tempo. A montagem do VísCera Teatro traz quatro atores revezando-se incessantemente nesses três papéis, onde cada um experimenta e coloca seus corpos, vividamente, em contato direto com os personagens da trama.


Ficha Técnica

Navalha na Carne

VísCera Teatro

Direção: Pépe Sedrez.

Atores: Cleiton Rocha, Fabrício Wilamoski, Lu de Bem e Maicon Keller.

Texto: Plínio Marcos.

Adaptação: Vis Cera Teatro

Iluminação: Pepe Sedrez.

Cenografia: Pépe Sedrez.

Sonoplastia: Pépe Sedrez.

Maquiagem: Adélia Eccel.

Arte Gráfica: Leo Kufner.

Preparação Corporal: James Beck.

Fotografia: Adélia Eccel e Leo Kufner.

SOBRE O GRUPO

VísCera Teatro

“Se a situação é brutal, se nos desnudamos e atingimos uma camada

extraordinariamente recôndita, expondo-a, a mascara da vida se rompe e cai.”

Jerzy Grotowski

Histórico do Grupo

O corpo VísCera Teatro emerge da construção  proveniente das possibilidades expressas por alunos da Carona Escola de Teatro, lugar que tornou possível a aproximação de pessoas comumente distantes nos grupos cotidianos. Esta interlocução – possibilitada pela arte – permitiu que as experiências de cada aluno, oriundas de histórias bem diferentes, pudessem ser compartilhadas no momento criativo e emanou delas a produção artística que culminou no surgimento de um grupo.

Formação

VísCera Teatro surge com o diálogo entre pessoas com cotidianos bem distintoss: Cleiton Rocha divide seu cotidiano de bancário e estagiário de Psicologia na interação com Fabrício Wilamoski, vendedor e operário do ramo têxtil, com Maicon Keller, professor de História e Geografia e DJ e Lu de Bem, Psicóloga e Professora.

Profissionais pertencentes ao Mundo do Trabalho que – na interação dialética, mútua troca – buscam novas formas de perceber seu corpo e sua vida na produção artística. Destruir o corpo e os conceitos cotidianos, as separações contemporâneas com seus cortes de gênero, intelectualidade, classe e construir um novo olhar. Vislumbrar o mundo com novos olhos, com olhos estranhos, reais.

O Teatro

O teatro entra na história do grupo como possibilidade de união, como o elemento que amalgama singularidades, aparentemente, muito distintas. Entre os seus buscares, existe o desejo de transformação pessoal, tirar a máscara do dia-a-dia. Uma liberdade não possível em nossa era mecânica – demarcada por ordens, modas, preceitos e corpos presos à primária sobrevivência que nos ofusca o mundo, a natureza e a expressão. Expressamos a dúvida e o sacrifício, o teatro demarca a dúvida, o ator, o sacrifício.

VísCera Teatro

O nome VísCera Teatro emerge do diálogo entre os quatro atores e o diretor convidado e co-responsável pelo nascimento do grupo, Pépe Sedrez – que nos apresentou a obra de Grotowski, influência teórica expressiva na concepção do grupo – como forma de manifestar a entrega total do ator no trabalho criativo, de manifestar uma ação que visa alcançar, na relação com o público, certa proximidade provocadora, incitativa da entrega ao profundo singular de cada obra, remoer suas próprias percepções e – na relação com o ator – desnaturalizá-las, levando-as a outros pontos de significação. Desnudar-se para o público e convidá-lo também, a despir-se. O VísCera Teatro exprime relações nem lógicas, mecânicas, nem emocionais: viscerais.

Possível Inicio

Terror e Misérias no Terceiro Reich, peça adaptada da obra de Bertolt Brecht – produzida para exibição na XVIII Mostra Carona de Teatro ainda como grupo de alunos da Turma Avançada – constitui o primeiro marco histórico propiciador da consecução do grupo, com ela, o VísCera Teatro aproxima-se da proposta do Teatro Épico e, nesse mergulho em Brecht navega também na relação entre os atores durante o trabalho de construção e apresentação do espetáculo. A aproximação constante entre os alunos, o diretor-professor Pépe Sedrez e a atriz convidada Sabrina Martendal levou-nos a trocas e fazeres catalisadores de novas compreensões sobre o Teatro, entendendo sua inexorável interconexão com as relações humanas, com o fazer coletivo, o afeto e o compromisso.